quinta-feira, 30 de abril de 2015

A vida

A vida é o que a vida é!
Depois de ter saído de casa, do meu país e do meu conforto, descubro todos os dias que tão mais fácil teria sido ficar, ficar e continuar a viver no quadrado que se vive no meu país desde que de lá sai.
Outra vez estou de mudança, uma mudança profissional que nos últimos anos tem-se revelado uma constante na minha vida. 
Que teria sido se tivesse ficado?
Um dia escrevo um livro, aliás teria vários que escrever, mas a este que me refiro é um livro sobre o meu percurso profissional, a evolução e os desvios que fizeram e continuam a fazer o que serei um dia. Aquela velha máxima, que as vezes tento que o meu filho entenda, não tenho como a explicar ou sequer justificar porque não a vivi, mas há uma máxima que vivi e que sempre resultou comigo, fazer, ir, tentar sem pré-conceitos ou pré-juízos! A vida é o que a vida é, se fosse religioso diria que Deus faz o favor de nos proporcionar o que de melhor a vida tem para nós, mesmo que para isso tenhamos que passar por provações difíceis de suportar.
A máxima que falava é aquela do estudar, ter inevitavelmente que responder à pergunta " o que queres ser quando fores grande" numa altura que ainda nem sabemos o que queremos ser agora... 
Hoje dificilmente os que me conhecem acreditam onde já cheguei, e nem imaginam o que está para vir! 
O que teria sido se tivesse ficado? Repito a pergunta! Não sei! Talvez como tantos outros tivesse ficado à espera que tudo ficasse diferente, que as coisas mudassem. O problema é que as coisas não mudam se as pessoas não mudarem, e eu tive que mudar, mudei talvez por motivos que já não fazem parte real do porque mudei, mas mudei e continuo a mudar, não que tenha escolha ou alternativa para não mudar, quase como se fosse conduzido pela vida, ou por essa entidade que faz o favor de me guiar pela vida, talvez essa entidade seja eu mesmo, que inconscientemente me mantenho à tona e não me deixo afundar na negatividade que atinge os cérebros dos mais incautos, talvez não seja, talvez seja mesmo Deus, ou aquilo a que chamam Deus. 
Seja como for a história ainda agora começou e muitos capítulos estão ainda por se escrever muitas aprendizagens farão com que talvez um dia entenda o que me guia pela vida e porque a vida é o que é!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Desassossegos de mim 1

Será que estás?
Porque não me parece que estejas?
Passas do 8 ao 80, tanto me amas como não me falas
O peito arde, a chama cresce, o mundo gira e as coisas ficam
Ficam na mesma
Tal e qual eram antes de ti
Porque me importa? Nada do que tens me interessa
A não ser tu mesma, assim
Pura , limpa e singela

Estou cansado
Cansado de mim
Cansado da minha forma de amar
Da minha possessão por quem não me quer
Porque sofro?
Nem te conheço
Apenas por textos
Por mensagens que a tecnologia nos força a trocar
Porque te quero se nem o teu cheiro conheço
Não sou solitário, estou solitário, talvez por isso seja tão fácil chegar-me,
Atingir-me como um relâmpago fulminante que tudo destrói ao passar
Talvez por isso me interesse desmesuradamente por qualquer uma que tenha a capacidade de falar, porque eu adoro ouvir, adoro saber.
Não amo ninguém, até porque amar é efémero e difícil de construir é algo que apenas acontece uma vez.
Tenho gente, gente que me quer mas que não me interessa, tudo o que é fácil não me interessa, não me alicia, não me motiva, desprezo!
Talvez a vida tenha guardado para mim algo maior, algo que não me permita cair nas tentações constantes da carne, não me interessam as tentações da carne!
Há dias que penso que seria melhor voltar, voltar para trás, voltar ao sentimento de conforto que sempre vivi, voltar à única pessoa que continua a amar-me, mesmo depois depois de tudo e de todas as mulheres que pela minha vida deixaram um raso de destruição massiva, que foram tudo sem que eu conseguisses se alguma coisa.
Sou estranho! Vivo num mundo à semelhança do mundo real, com dias cheios de sol e noites escuras, tão escuras que nada consigo ver, nem mesmo o futuro.
Pessoas e mais pessoas à minha volta, quantas mais são, mais só me sinto, menos vontade tenho de as ver, nem justas nem separadas.
Não tenho medo do futuro, tenho medo do presente, do agora, daquele que me atormenta como se o manhã fosse não existir, pelo menos o amanhã que desejo.
Conheço pessoas, mulheres, mulheres que nada querem de mim para além do momento que, às vezes, estou disposto a proporcionar-lhes.
O, às vezes, é raro e difícil de conseguir.
Sou um homem de amor, de abraços, de beijos, de partilha e de coisas que de momento não tenho a quem dar. Tenho momentos, momentos em que imagino tudo isso dado a alguém que por gosto o receberia. Mas esse alguém é sempre distante e com muitas complicações pelo meio.
Já chego a achar piada às dificuldades que coloco a mim mesmo, já penso que não é só o destino mas eu, que propositadamente faço escolhas à partida impossíveis. Porque o fundo não quero. Porque no fundo o que quero é ainda mais impossível do que o que escolho.
Pessoas bonitas, pessoas interessantes e até ricas adoram partilhar a minha existência e tudo fazem para a conquistar, mas eu não deixo, ou antes, deixo apenas pelo tempo suficiente para saber que não quero, que não me interessa, que não me importa.
Estarei destinado a viver assim até que tudo passe, que tudo passe a ser uma memória esvanecida no sentimento.
Estou cansado, já disse, cansado de tudo mas tenho fome de viver, vontade de voltar, vontade de conquistar e construir tudo de novo como quem começa de novo.
Sou populado por pensamentos de calma futura e de prazeres simples que fazem a diferença entra ser e estar bem e ser e estar o que sou hoje, uma réstia carbonizada do que fui.
Tenho hoje mais do que alguma vez tive, mas a réstia que me sobra de quem sou nem com tudo o que tenho consegue crescer. Como uma fruta desidratada precisa de amor como água para a reidratação, e esse não tenho, ou até tenho mas não de quem queria tanto ter.
Esquecer é uma maratona que não estou disposto a correr, não me apetece. Lembrar empurra-me, alimenta-me, aconchega-me o suficiente para continuar.